REVISÃO 1 – P.S.A: ANTÍGENO PROSTÁTICO ESPECÍFICO

Importante: as revisões aqui realizadas e expostas, são edições exclusivas do autor, não têm objetivo protocolar/educacional, nem tampouco substituem a literatura Urológica de referência. São todas baseadas em Livros de referência como Campbell e Walsh, Current Urology, Smith – Urologia, e interpretação de artigos atuais retirados do Journal of Urology, Clinics of North America, apresentados na AUA ou no EAU. Autor: Gustavo de Oliveira Mota, Urologista – todos os diretos são reservados.

Revisão 1 – Antígeno Prostático Específico(PSA)                                                                                      

Autor: Gustavo de Oliveira Mota, Urologista                                        

 Belo Horizonte, Minas Gerais

I – CONSIDERAÇÕES

O PSA é uma glicoproteina / 240 AA, calicreína humana (hK3). Sua síntese ocorre no  epitelio ductal e ácinos prostaticos. Apresenta altas concentrações no sêmen, e tem a função de liquefazer o coágulo seminal após a ejaculação. É ainda utilizado para encontrar o sêmen na medicina legal. A interpretação do PSA deve ser sempre feita por médico, preferencialmente Urologista, que é capaz de correlacionarseu valor com o exame físico, inclusive com o toque retal. Muitos fatores alteram o PSA, e portanto, a leitura isolada do seu resultado laboratorial é insuficiente para qualquer diagnóstico.

Molécula PSA         PSA

II – FATORES QUE ALTERAM O VALOR DO PSA

O PSA é órgão específico, e não doença específico. Assim, seus valores estão ligados às várias doenças prostáticas, e não exclusivamente ao câncer de próstata.

1) Prostatites

2) HPB (Hiperplasia Prostática Benigna)

3) Biopsia Prostática e USTR / Colonoscopia

4) Retenção Urinária Aguda

5) RTU Próstata (Ressesção Endoscópica da Próstata)

6) Infarto prostático

8) Ejaculação  e toque retal (discutíveis)

9) Hemodiálise (PSA Livre)

III – PSA NA DETECÇÃO DO CÂNCER DA PROSTÁTA

Uma observação interessante e que pode ajudar no dia-a-dia urológico, se segue:

VALORES PSA   x   CHANCE RELATIVA

0,0 – 0,5                                   6,6 %

0,6 – 1,0                                   10,1 %

1,1 – 2,0                                    17 %

2,1 – 3,0                                  23,9 %

3,1 – 4,0                                  26,9 %

Valores estatísticos conhecidos da literatura urológica, válidos para pacientes que apresentam-se acima dos 45/50 anos.

VELOCIDADE DE PSA (PSAv)

A velocidade considerada “habitual” do PSA, é a sua elevação de 0,10ng/dL ao ano. Em pacientes com PSA entre 2,5 e 4,0, consideramos preocupantes elevações acima de 0,4ng/mL/ano. Em pacientes com PSA entre 4,0 e 10, serão preocupantes elevações acima de 0,75ng/mL/ano.

Portanto:

PSA entre 4,0 – 10,0 PSAv = < 0,75 / ano

PSA entre 2,5 – 4,0 PSAv = < 0,40 / ano

AJUSTE DO PSA COM A IDADE

IDADE                     Valor MEDIO      Valor  MAXIMO

40 a 50 anos                   0,7                             2,5

50 a 60 anos                   1,0                             3,5

60 a 70 anos                   1,4                             4,5

70 a 80 anos                   2,0                            6,5

IV – ISOFORMAS DO PSA

PSA Livre:  corresponde a 5 a 40 % do PSA Total. No CA Próstata = DIMINUI a fração livre do PSA –> há diminuição dos valores da relação livre/total. Portanto, pacientes que apresentem a R% < 25, têm risco aumentado para o diagnóstico de CA.

PSA

PSA

VALOR DE R%      CHANCE RELATIVA

25%             =               8%

20%             =              16%

15%             =              28%

10%            =               56%

Curiosidade sobre a velocidade do PSA:

Obs.: se o paciente, antes de se submetido ao tratamento do tumor de próstata (ou seja, ano anterior a prostatectomia e/ou RTX) cursou com aumento de 2,0 mg/dL/ano, este estatisticamente terá menor sobrevida CA específica, segundo os trabalhos atuais.

V – PSA E ESTADIAMENTO DO CA PROSTÁTICO

Em pacientes já diagnosticados com Neoplasia Prostática, apresentando PSA inferior a  4,0 ng/dL, encontraremos, nestes,  80% dos tumores confinados a próstata. Contudo, se estes pacientes apresentarem PSA entre 4,0-10 ng/dL, apenas 66% dos tumores estarão confinados ao órgão. Por fim, pacientes portadores de neoplasia prostática e que apresentem valores de PSA superiores a 10,0, apenas 35% tumores estarão confinados ao órgão, o que encerra pior prognóstico.

Metástases:  

Ganglionares: 20% dos pacientes com PSA>20ng/dL;  70% dos pacientes com PSA>50 ng/dL;

Desta forma, considera-se o paciente de baixo risco, como aquele paciente assintomático, que apresente tumor com histologia até Gleason 7 e PSA inferior a 10 ng/dL. Será indicativo de estadiamento com imagem (Cintilografia / Tomografia Computadorizada), pacientes que apresentem PSA maior ou igual a  20 ng/dL  associado a tumores com escore Gleason maior ou igual a 7. É corriqueiro notar que, colegas Urologistas no seu dia-a-dia, diante de um PSA superior a 15 ou 20, prossigam no estadiamento com imagem, independente da histologia do tumor. Isto se justifica devido às grandes variações histológicas pré e pós operatórias ( upstaging ), e a eventual dificuldade de se uniformizar o exame anátomo-patológico entre os colegas Patologistas.

VI – PSA E SEGUIMENTO PÓS TRATAMENTO

A detecção precoce da recidiva, após tratamento “definitivo”, indica tratamento complementar para a Neoplasia de próstata.

VI.1) PTR – Prostatovesiculectomia Radical + Linfadenectomia Pelvica regional

O padrão de seguimento pós-operatório que se traduz em sucesso, é a manutenção do PSA < 0,04 em três meses; Considerado recidiva bioquímica quando o PSA ultrapassa 0,2ng/dL após ter “zerado” nos meses iniciais.

Será considerada recidiva bioquímica precoce, quando a mesma ocorrer até os 6 primeiros meses. Nesta situação, entende-se que  se trata de doença avançada, com recidiva ou presença de metástases à distância.

Recidiva bioquímica tardia é a elevação dos valores de PSA acima de 0,2 ng/dL,  após 1 ano do tratamento inicial. Isto traduz-se, na maioria das vezes, como recidiva local, de melhor prognóstico e tratamento.

Se o PSA não negativa após a cirurgia, devemos pensar em tecido prostático residual ou metastases à distância.

VI.2) RTX: RADIOTERAPIA

Espera-se o aumento do PSA logo após a RTX. O valor admitido, portanto como PSA NADIR, será o menor índice alcançado apos a RTX. Para considerarmos recidiva,  soma-se 2,0 ao PSA-NADIR, que pode ocorrer em qualquer tempo pós-tratamento, e será interpretado como em um pós-operatório cirúrgico (PTR).

VI.3) BRAQUITERAPIA:

Considerado sucesso terapeutico a permanencia dos valores de PSA mantidos abaixo de  0,7 ng/dL nos 05 primeiros anos após o tratamento.

VI.4) DOUBLING TIME

Sobre o tempo de duplicação na recidiva, interpreta-se da seguinte maneira:

a) Se PSAtd (doubling time) < 03 meses = risco de morte pela recorrência;

b) Se PSAtd (doubling time) > 12 meses = melhor prognóstico;

Obs.: para calculo de “doubling time” e acesso ao nomograma mais utilizado, acesse: http://nomograms.mskcc.org/Prostate/PsaDoublingTime.aspx

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Sobre Urologico

Médico Especialista em Urologia e Andrologia CRMSC:18.530 RQE: 10267 Instituto Catarinense de Urologia, Balneario Camboriu, Santa Catarina, Brasil Hospital do Coração, Santa Catarina, Brasil
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